Por que devo tratar a trompa antes da FIV?

O tratamento de trompa antes da FIV é uma etapa que muitas tentantes desconhecem. No entanto, ele pode mudar de forma importante o resultado de um ciclo de fertilização in vitro.

Talvez você já tenha ouvido algo parecido no consultório: “suas trompas estão comprometidas, então a FIV é o melhor caminho”. Faz sentido, afinal a FIV dispensa as trompas. Por isso, muitas mulheres se surpreendem quando o médico indica cuidar delas antes de começar.

Neste artigo, você vai entender por que isso acontece, em quais casos o tratamento é indicado e quais são as opções disponíveis. Além disso, vamos responder às dúvidas mais comuns de quem está nessa fase da tentativa.

O papel das trompas na fertilidade

As trompas uterinas, também chamadas de tubas uterinas, ligam os ovários ao útero. Elas são finas e delicadas. Ainda assim, têm uma função muito mais ativa do que parece.

Na gravidez natural, as trompas participam de etapas essenciais:

  • Captam o óvulo liberado pelo ovário na ovulação;
  • Abrigam o encontro entre o óvulo e o espermatozoide, ou seja, a fecundação;
  • Nutrem o embrião nos primeiros dias de desenvolvimento;
  • Transportam o embrião até o útero, onde ele vai se implantar.

Quando as trompas estão obstruídas ou danificadas, esse caminho se interrompe. De fato, as doenças das trompas respondem por cerca de 20% dos casos de infertilidade, segundo revisão da Cochrane.

Por isso, a FIV costuma ser indicada nesses casos. Afinal, na fertilização in vitro, a fecundação acontece no laboratório. Em seguida, o embrião é transferido direto para o útero.

O que é hidrossalpinge e por que ela preocupa na FIV

Nem toda alteração nas trompas interfere na FIV. Porém, existe uma condição que exige atenção especial: a hidrossalpinge.

O nome significa, de forma simples, “trompa com água”. Ela acontece quando a extremidade da trompa próxima ao ovário se fecha. Assim, o líquido produzido pela própria trompa não consegue fluir. Ele acumula e dilata o órgão.

As causas mais comuns incluem:

  • infecções pélvicas, muitas vezes silenciosas, como as causadas por clamídia e gonorreia;
  • endometriose;
  • cirurgias abdominais ou pélvicas anteriores;
  • processos inflamatórios na pelve, como uma apendicite complicada.

Em muitos casos, a mulher não sente nada. Por isso, a hidrossalpinge costuma aparecer justamente durante a investigação de infertilidade.

Como o líquido da trompa atrapalha o embrião

A trompa dilatada se comunica com o útero. Dessa forma, o líquido acumulado pode drenar para dentro da cavidade uterina, exatamente onde o embrião precisa se fixar.

As pesquisas apontam três hipóteses principais para explicar esse prejuízo:

  1. Efeito tóxico: o líquido pode conter substâncias inflamatórias que prejudicam o desenvolvimento do embrião.
  2. Efeito de lavagem: o fluxo de líquido pode “arrastar” o embrião antes que ele se fixe.
  3. Alteração no endométrio: a inflamação pode reduzir a receptividade do endométrio, a camada onde o embrião se implanta.

Na prática, o impacto é grande. Estudos mostram que a hidrossalpinge pode reduzir pela metade as chances de sucesso da FIV. Além disso, ela se associa a um risco maior de perda gestacional.

Uma trompa só já faz diferença

Muitas pacientes perguntam: “e se o problema estiver em apenas um lado?”. A resposta é que a hidrossalpinge em uma única trompa também pode reduzir as taxas de gravidez na FIV.

Ou seja, mesmo com uma trompa saudável, o líquido do outro lado continua chegando ao útero. Portanto, a avaliação precisa considerar cada trompa individualmente.

Por que o tratamento de trompa antes da FIV aumenta as chances

A lógica é direta. Se o líquido atrapalha o embrião, impedir que ele chegue ao útero melhora o ambiente para a implantação.

Essa lógica tem respaldo científico sólido. Uma revisão sistemática da Cochrane reuniu 11 estudos randomizados, com cerca de 1.400 mulheres. Nos estudos sobre a retirada da trompa por videolaparoscopia, a chance de gravidez clínica na FIV praticamente dobrou.

Além disso, sociedades médicas internacionais, como a Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva (ASRM), recomendam tratar a hidrossalpinge antes da fertilização in vitro.

Em outras palavras, o tratamento de trompa não é um passo extra sem motivo. Pelo contrário, ele prepara o útero para receber o embrião nas melhores condições possíveis.

Pense, por exemplo, em um embrião de boa qualidade, formado com todo o cuidado no laboratório. Se ele chega a um ambiente com líquido inflamatório, parte desse cuidado se perde. Assim, tratar a trompa antes protege todo o caminho percorrido até a transferência.

Quais são as opções de tratamento de trompa

A escolha da técnica depende da gravidade da hidrossalpinge, do histórico cirúrgico e das condições da pelve de cada paciente. Conheça as principais alternativas.

Salpingectomia: retirada da trompa

A salpingectomia é a remoção da trompa afetada. Geralmente, o procedimento é feito por videolaparoscopia, uma cirurgia minimamente invasiva com pequenos cortes no abdômen.

É a opção com mais estudos. Por isso, muitos especialistas a consideram a referência no tratamento da hidrossalpinge antes da FIV. Além disso, ela elimina de forma definitiva a fonte do líquido.

Há também um cuidado técnico essencial. O ovário fica muito próximo da trompa, então o cirurgião trabalha para preservar a circulação que o nutre.

Oclusão proximal: bloquear a passagem do líquido

Na oclusão proximal, o médico fecha a trompa no ponto em que ela se liga ao útero. Assim, o líquido continua na trompa, mas não chega mais à cavidade uterina.

Essa técnica é uma boa alternativa quando a pelve tem muitas aderências e a retirada da trompa seria mais arriscada. De acordo com as revisões disponíveis, os resultados de gravidez na FIV são semelhantes aos da salpingectomia.

Aspiração do líquido: uma alternativa pontual

Em alguns casos, o médico aspira o líquido com uma agulha guiada por ultrassom. Muitas vezes, isso acontece durante a própria coleta dos óvulos.

Por outro lado, a trompa continua doente e o líquido tende a se acumular de novo. Por isso, a aspiração costuma ficar reservada para situações específicas, avaliadas caso a caso.

Como saber se você precisa de tratamento de trompa

O diagnóstico faz parte da investigação de fertilidade. Por isso, ele precisa ser conduzido por uma equipe que conhece em detalhes a anatomia reprodutiva.

Exames mais usados na avaliação das trompas

  • Ultrassonografia transvaginal: em muitos casos, mostra a trompa dilatada com líquido. Contudo, depende de um examinador experiente.
  • Histerossalpingografia: um raio-x com contraste que avalia se as trompas estão pérvias, isto é, abertas.
  • Histerossonossalpingografia: uma alternativa por ultrassom que também avalia a passagem pelas trompas.
  • Videolaparoscopia: permite ver as trompas diretamente e, quando indicado, tratar o problema no mesmo procedimento.

Além dos exames, alguns pontos do seu histórico merecem ser comentados na consulta:

  • infecção pélvica ou infecção sexualmente transmissível no passado;
  • diagnóstico ou suspeita de endometriose;
  • cirurgias abdominais anteriores;
  • gravidez ectópica prévia;
  • ciclos de FIV com embriões de boa qualidade que não implantaram.

Toda trompa alterada precisa de tratamento antes da FIV?

Não. Essa distinção é importante. Uma trompa apenas obstruída, sem acúmulo de líquido, geralmente não interfere na implantação do embrião.

Nesses casos, a FIV pode seguir sem cirurgia prévia. Afinal, o embrião vai direto para o útero, e a trompa obstruída não envia líquido para a cavidade.

Por outro lado, quando há hidrossalpinge visível no ultrassom, a indicação de tratamento ganha força. Portanto, a decisão nunca é automática. Ela depende do tipo de alteração, do tamanho da dilatação, do histórico da paciente e dos resultados anteriores.

É exatamente por isso que a avaliação individualizada faz tanta diferença. Dois diagnósticos parecidos no papel podem pedir condutas diferentes na prática.

Dúvidas frequentes sobre o tratamento de trompa

Retirar a trompa prejudica meus óvulos?

Os óvulos ficam no ovário, e não na trompa. Na cirurgia, o objetivo é preservar a circulação do ovário. Além disso, estudos que compararam a retirada e a oclusão da trompa não encontraram diferença significativa no número de óvulos coletados na FIV.

Quanto tempo depois da cirurgia posso fazer a FIV?

Depende da técnica utilizada e da recuperação de cada paciente. Em geral, a videolaparoscopia tem recuperação rápida. Ainda assim, quem define o momento ideal para iniciar o ciclo é o médico, na consulta de retorno.

Sem as trompas, ainda posso engravidar?

Sim, pela FIV. Na fertilização in vitro, o óvulo é fecundado no laboratório e o embrião é transferido diretamente para o útero. Dessa forma, as trompas não participam do processo.

Já fiz uma FIV que não deu certo. A trompa pode ter influenciado?

Pode ser um dos fatores. Quando embriões de boa qualidade não implantam, a equipe revisa todo o caminho, incluindo útero, endométrio e trompas. Nesse contexto, a hidrossalpinge é uma das causas que precisam ser investigadas.

O tratamento de trompa garante a gravidez?

Nenhum tratamento em reprodução humana garante resultado. No entanto, tratar a hidrossalpinge remove um obstáculo comprovado. Assim, o embrião encontra um ambiente mais favorável para se implantar.

Tratamento de trompa com uma equipe especializada em reprodução assistida

Tratar a trompa antes da FIV não é atrasar o sonho. Pelo contrário, é preparar o caminho para que o embrião encontre as melhores condições de se desenvolver.

Em resumo, vale guardar três pontos:

  • a hidrossalpinge pode reduzir pela metade as chances de sucesso da FIV;
  • o tratamento de trompa, por retirada ou oclusão, aumenta as chances de gravidez de forma comprovada;
  • nem toda alteração nas trompas exige cirurgia, por isso a avaliação individual é decisiva.

Na Clínica Dr. Ricardo Beck, a investigação das trompas faz parte de uma avaliação completa. Ela é conduzida por uma equipe dedicada exclusivamente à reprodução humana assistida. Além disso, cada plano une mais de 30 anos de experiência do Dr. Ricardo Beck a uma escuta atenta da sua história.

Você está se preparando para a FIV ou já recebeu um diagnóstico nas trompas? Agende uma consulta com a equipe do Dr. Ricardo Beck e descubra qual é o melhor caminho para o seu caso. Fale com a clínica pelo WhatsApp.

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